8.1.05

como sangue espalhado pelo chão,
sou livre de matar, de voar!

como sombras de um sonho obscuro,
estou preso na prisão onde me encontro.

a vida não existe, sonha,
o sonho não desiste, insiste!

Se querias muito, tiveste pouco,
se quizesses pouco, terias muito.

para onde quer que olhe,
uma só coisa é visivel:

morte, sombra e destruição,
três faces da mesma cara!

Musica, embebeda-me os ouvidos,
enche-me de tanto nada.

Sonho, por sonhar, que sonhar
me vai levar a algum aldo incerto.

descanço, na paz do Senhor,
que o frio me leve de volta ao utero!

que o mundo nunca tenha começado,
ser tudo energia é o meu sonho,
um dia..

Que se oblivie a luz do sol,
que as nuvens escondam o dia,

que a noite seja eterna,
que o mundo acabe agora mesmo!

Esperanças. espectativas, desejos,
tudo mentiras inconcebiveis!

Que nada exista, que tudo seja!
Que ninguem minta, que ninguem fale!

Onde quer que vá, estarás lá sempre,
sombra de mim mesmo, alma de meu corpo.

Para qualquer lado que me vire,
sempre a mesma cara aos meus olhos.

Morreste e estás viva dentro de mim,
senhora horripilante que não existe!

Olha em frente, acredita no que foi,
o que será pode nunca vir a ser,
mas o que foi nunca deixará de o ser.

Musica, musa dos céus,
enche-me com o teu dom,

dá-me linhas onde escrever
a tragédia do mundo e do tempo,

a dor de ser e existir,
o horripilante estado de pensar!

Escondido no meu ser,
espero, anseio, pela luz que virá.

Um dia morrer é um sonho
que todos conseguimos alcançar,
menos aqueles que o desejam.

Viver para sempre, alegria imensa!
Ou será antes a maldição que nos condena?

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