15.2.11

Desejo

Não te quero hoje,
quero-te ontem,
ou talvez antes mesmo.

Quero-te desde que o tempo o é.
Quis-te quando os dinossauros corriam sobre a relva,
esmagando-a sobre as suas patas.
Quis-te quando macacos sapientes
caçavam mamutes escondidos em grutas e cavernas.
Quis-te quando as pedras das pirâmides
eram arrastadas pela areia seca do deserto.
Quis-te quando os gregos filosofavam num fórum,
alheios à realidade das coisas.
Quis-te quando centuriões conquistaram o mundo inteiro,
arrogantes de águia e estandarte erguido.
Quis-te quando os bárbaros chegaram e destruíram tudo,
bebendo nas ruínas da civilização.
Quis-te quando o mundo se afogou na escuridão,
Quis-te quando ele reencontrou a luz,
Quis-te durante guerras e longas viagens de caravela,
Quis-te quando descobrimos o mundo para lá do mundo,
Quis-te quando o ganhámos,
Quis-te quando o perdemos.
Quis-te quando o mundo tremeu de medo,
Quis-te quando se levantou de novo,
Quis-te quando nasci,
quis-te quando cresci,
quis-te quando aprendi,
quis-te quando te conheci,
quis-te quando me conheci em ti,
quando te conheci em mim.
Quis-te quando me sorriste,
quis-te quando te sorri de volta,
quero-te.
Agora,
Ontem,
Amanhã.

O tempo não importa porque o tempo não existe
para o meu querer-te.

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