Espancado pelos sonhos,
deitei-me ao chão
e fingi não ver
que longe nada havia.
Segui pela interminavel estrada,
até chegar ao seu fim,
pois tudo tem fim,
mesmo aquilo que nunca acaba.
"no meu corpo vive o mal",
canta outro por mim,
sem saber que ao dizer-lo,
falava pela minha pessoa,
triste pessoa,
que nada tem,
nada sonha
e nada terá,
pois nada existe
agora
nesta terra que me mereça.
Nada sou,
se nada desejo,
e nada desejo,
para nada ser,
pois não sendo,
mais facil é viver.
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espaçado pelo tempo que foi,
avisado já pelos dias que foram,
sou um sonho apagado,
uma ideia mal escrita,
e um poema que nunca escreveram.
E se o escreveres tu,
diz-me antes,
para deixar de o ser,
e não passar a Ser.
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