13.4.06

passado

Sofre, trespassada pela dor,
sofre, morre o meu amor.

Aguçadas lanças,
de prateada ponta e gume,
"morre queimada ao lume,
lume sagrado onde danças"

"Não o quis fazer"
Digo sem sequer saber,
que minto descaradamente,
a ti a todos, à minha mente.

Sofre, quase que morre o meu amor,
sofre, esbofeteada, espancada pela dor.

A lamina curva da traição,
espetei-a em teu ventre amado,
rasguei carne até ao pulmão, coração,
e tracei meu triste fado.

Sofre, esmaguei-te com a dor,
sofre, a tua morte meu amor.

O doce licor de mel venenoso,
num calice te dei a beber,
e olhei para ti arrependido, orgulhoso,
vi-te a sufocar até morrer.

Sofre, chegou a morte, meu amor,
Sofre, triturada pela tua dor.

Sufucado pela corda que te matou,
caminho preso à tua sepultura,
sozinho com o nada que me ficou,
e o teu nome na pedra dura.

Sofro, estrangulei-te com a dor,
Sofro, fui eu quem te matou meu amor.

Descansa agora finalmente sossegada,
não te posso matar mais minha amada,
tornaste-te sagrada,
por morrer apaixonada..