8.4.06

I
numa viagem sem fim,
caminho até não chegar,
ando, calcorreio, e não.
não. não. não.
sim, eu quero,
mas sem querer,
deixei de saber s o quero
ou prefiro não querer.
talvez eu queira
só por não querer,
talvez me doa,
só por não doer,
talvez nada seja o que aparenta ser.
ao fumo dos cigarros,
que se eleva aos céus,
ao café nas chavenas,
que acorda e aquece,
ao alcool ao vodcka,
que embraiga sem se ver.
Nas catedrais dos nossos dias,
joga-se à bola,
não se reza.
Nos cemitérios dos nossos tempos,
não chegamos a apodrecer,
somos expatriados para a fogueira,
se não morremos,
somos queimados.
Nos agoritmos da nossa vida,
não há espaço para amar,
só trabalho, só trabalho,
sem tempo para parar.
II
ao frio da noite,
que nos envolve,
ao calor do dia,
que não aquece,
ao olhar de uma senhora,
que nos enche de orgulho.
Nas estradas de negro alcatrão,
procuramos um caminho,
vago e incerto, até a razão.
Nos becos imundos e escuros,
escondem-se poetas e artistas ,
morrem homens e mulheres.
Nas noites impudicas,
criam-se novos rebentos,
mais bocas para alimentar,
mais mortos para morrer.
ao sol que não aquece,
à lua que não brilha,
ao alcool que é sempre.
Nos trilhos de lama
que a vida são,
perdemos o sentido,
esquecemos o norte,
morremos solitários.
ao trabalho,
que nos consome
ao dinheiro,
que dá fome,
à comida,
que não comemos
Na lua fria e esquecida,
enterramos nossos medos,
as esperanças ficaram lá.
III a espera doutro dia
as correspondencias
do metro
ao chegar lá,
ao já lá estar.
IV
ao parar e voltar,
ao escrever sem parar,
aos fins abruptos.