23.9.17
nem sempre estou.
acordei,
como todos os dias acordo,
e esqueci-me de me esquecer
de ser.
acordei,
e quis fugir,
sair,
não ser nem eu nem ninguém
nem sobra de alguém.
acordei,
e nem a tentação do sono,
confortável,
conhecido e quente e bom,
me acende
o ser.
acordei,
e não me quis a teu lado.
acordei,
e queria continuar a dormir,
porque aí
ainda gostava de ti.
dormi,
sonhei,
fui teu completamente,
corpo,
alma,
coração,
todos os meus chakras alinhados
com os teus,
todas as nossas estrelas no sítio.
mas acordei.
e à luz do dia,
não eras minha,
e eu,
não era teu.
e à luz do dia,
nem meus chakras ressonavam,
nem as estrelas,
escondidas na luz,
se alinhavam.
e à luz do dia,
estava frio,
escuro,
seco,
mau.
e à luz do dia,
já não te queria.
acordei,
e não quis estar,
acordei,
e (quantas vezes terei de dizer CHEGA!
até que te diga que acabou?) nada.
acordei
e
acordarei de novo,
mas não estarás a meu lado,
não serei mais teu.
acordarei,
mas serei só eu,
sozinho,
na cama imensa,
sozinho,
no café matinal,
sozinho,
fumarei,
beberei,
sozinho,
buscarei
o meu prazer,
a minha âncora,
serei eu.
as vezes não estou,
porque não quero estar.
as vezes não estou,
porque as vezes ainda quero estar,
mas,
tenho medo,
de não querer
ser
teu
quando o dia acabar.
acordei,
e agora,
que não te quero a meu lado,
não sei o que dizer
excepto
que
nem sempre estou.
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