10.1.16

E antes?

E depois, digo-lhe,
há dias em que o existires em mim
se sente (por dentro, quente),
e eu não sei o que fazer,
se escrever, comer ou beber.
Se rir,
se chorar,
se sorrir,
se respirar fundo
e seguir.

E depois, discute-se,
cada pequena parte de mim com a sua opinião:
Era lixo!
Era ouro!
Era prata, e daquela má.
Era, era, era repetem as vozes
e grito eu:
SERIA! que nunca foi.

E depois, ela diz-me olá
e o mundo já não é feio,
e o céu já não está escuro,
e as coisas fazem sentido
e tudo está quase como devia estar,
até tudo voltar a ser
como realmente é.

E depois, penso
tenho coisas para fazer
sítios para ir,
chão para lavar,
comida para cozinhar,
milhares de pequenos segundos
que tenho de perder para existir.




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