11.10.14

cenas

a vida anda devagarinho
como um sonho em slowmotion
(a preto e branco e tudo),
dias iguais entre si,
ontem, hoje, amanha:
tudo a mesma coisa e eu ainda aqui.

Mas está tudo bem,
repito,
tudo bem,

Tudo certo, o mundo ainda gira,
o meu ser ainda respira,
as flores ainda cheiram bem
e o corpo dela (provavelmente) também,
então porque sinto que
nada importa?

sou um dia antes do próximo,
e nenhum deles me excita,
nada me arrebita arrebita,
apita, apita,
tudo igual,
tudo a mesma merda
e eu sem o nada que dela se herda.

Sou uma paragem de autocarro
onde nunca ninguém quer sair.

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