11.11.13

cascada de lençois de seda

Em grandes fontes de azul esquecido,
erguem-se torres de nada e coisa nenhuma
sobre as quais desenho o apocalipse
dos meus sentimentos.

Numa floresta de carvalhos amarelos
nado entre folhas caídas de árvores rasteiras
como um esquilo dentes de sabre
na tundra atlântica do pacifico.

Como uma folha de papel,
velha,
molhada,
gasta,
riscada,
rasgada,
queimada,
suja,
nojenta mesmo!
sou atirado ao lixo
e deixo-me lá ficar.

uma ultima bolacha no pacote,
um ultimo sonho antes de acordar
(em berros e suor vestido),
uma ultima tentativa
antes de o dia acabar
para te tocar.

És arte,
e arte acaba.

és arte,
e arte arde.

és arte,
e arte desaparece,
espairece,
desvanece.
desespera
e deixa-me só.

És arte e eu não sou artista,
sou poeta, HA!
sou piada,
sou pulha,
sou parasita da sociedade
e alimento-me da morte de outros
e no sofrimento de outros encontro
a roupa bonita
que berro e impropério
como se um vestido
para esconder o ego
que a todo o lado me carrega.

Sou, És,
Tenho, Tens,
mas não somos nem temos
porque o mundo é nosso,
mas não para nós.

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