"Estou bêbado",
dizes, sorrindo e justificando assim o que fazes.
"Estou bêbado" e portanto posso sorrir-te,
olhar-te de longe e fingir que sou outro
quando olhas de volta.
"Estou bêbado",
um hino à vontade de ter o que não posso ter,
um desejo que se afoga
solitário
no mar da realidade.
"Estou bêbado",
dizes mais uma vez
e assim
encontras a paz
de poder dizer
o que não podes dizer.
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