31.1.11

incrementa-me o contador

I
muda-me o nome,
arranca-me a cara e mete outra.

II
Escreve-me uma ode marítima,
nos oceanos do teu prazer.

III
Desenha-me a carvão,
pinta-me erecto na tua boca.

IV
Vende-me numa banca da rua
como se eu fosse uma flor.

V
Rasga-me as costas com as garras,
demónio imortal.

VI
Descalça-me as luvas,
amarra-te à cama.

VII
Diz-me boa noite,
apaga a luz,
dá-me um beijo e adormece.

VIII
No escuro,
Na noite profunda,
No abismo de niilismo,
ato-te,
qual sapato brilhante,
aos ferros.

IX
Trepar monte acima,
de mochila as costas,
correr a pele suave
dum continente desconhecido.

X
ser anão,
de barba, caneca de cerveja e picareta na mão.

XI
ouvir meu nome elevado
aos céus

XII
beijar os lábios que por mim clamam

XIII
e dormir.

No comments: