Altivamente, alegres,
andaremos todos um dia.
Bestas que somos,
burlaremos nossas vontades.
Consumidos pelo desejo,
choraremos a glória dos tempos idos.
De cabeça baixa,
deambularemos pela cidade.
Esquecidos de velhos sonhos,
esperaremos por aqueles que não virão.
Feita a nossa escolha,
faltaremos ao sofrimento dela.
Guiados pelo destino,
guinaremos à esquerda numa curva à direita.
Hoje nada somos,
hipotecaremos nossos sonhos.
Inglória a vontade,
inventaremos novas verdades.
Jazemos agora,
jantaremos nosso futuro.
Livres,
lançaremos ao mar nossa hipotese.
Mortos, em fim,
mataremos também os outros.
Não sabendo nosso fado,
nasceremos de novo novas pessoas.
Onde o fim será,
olharemos para trás a chorar.
Porque,
perguntaremos de lágrimas secas nas orbitas.
Que foi que fizemos,
quereremos saber nesse dia.
Riscada a ambição,
riscaremos com ela a vontade de viver.
Suspirando,
sustermos a respiração na vâ esperança de tudo acabar.
Trágico será o fim,
triunfaremos na morte, se a vida não o permitir.
Urdida nossa trama,
uivaremos porque nos a tecemos.
Vitória, clamaremos,
vingaremos nossa vida, ao não viver.
Xeque-Mate,
xatearemos os Deuses se tal for preciso.
Zzz-Zzz-Zzz,
zangados, no fim, finalmente dormiremos!
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