31.12.04

ml - poesia não é isto

Escuro!
Não consigo respirar!
Olho em volta de mim mesmo e nada vejo,
sinto o frio da noite e quente do calor,
abraçam-me os desejos que tive um dia,
e nada disso me faz feliz.
Faltas-me tu.
Olho em volta,
álcool, droga e tabaco,
não me aguento de pé,
mas sonho contigo deitado no sofá..
onde estás?
Procuro-te.
Desejo-te!
Procura-me, vem me buscar,
estou no sitio onde ninguém está,
no fundo orifício rectal de um Deus..
Nós não somos pessoas,
nós não somos humanos,
nós somos amantes da verdadeira cor do universo.
Somos negritude, escuridão infindável!
Somos tudo por nada ambicionarmos ser.
Queremos o mundo aos nossos pés,
a lua apagada no céu,
a escuridão como senhora absoluta!
Que morram todos que estiverem contra!
Que o sangue deles pinte de negro as estradas!
Que as suas tripas encham o caminho
(impossível caminho!)
até ao paraíso...
Se não podemos ser perfeitos,
Que nos tornemos imperfeitos ao máximo!
Somos hediondos, por gosto!
Não existe nada
nada existe, não.
Poesia não é isto,
poesia deve rimar!
poesia tem métrica correcta e sem excepções!
Poesia é uma rígida moldura que esconde a arte!
Negritude! Negro, preto, escuro, noite!
Morte sangue e orgasmo!
Drogas e álcool, venham eles!
Que os neurónios que me irritam
MORRAM!

prof. John Gama

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